sexta-feira, 11 de junho de 2010

Cartografia

Quero te pegar pela mão e te levar pra conhecer a cidade: inteira, linda e cheia de memórias – mas espera, isso é a cidade ou é você? Não, eu sei que você também nasceu aqui, não estou falando de visitar pontos turísticos, podemos pular essa parte mais burocrática. Vamos às lembranças. Vou te contar como descobri essa vista e memorizar o jeito como o sol se aninha no seu sorriso, nessa tarde em que todas as pessoas correm por suas vidas e nós nos damos ao luxo de viver. Depois tomamos sorvete à sombra dos prédios, e o sabor vai ser o nosso por uns tempos. Você tenta me contar tudo o que já viu passar daqui, desse mesmo banco de praça, mas um cara perguntando as horas com um cacoete estranho interrompe a história e vira nossa primeira piada interna. Se bem que o dia todo foi uma piada interna: só eu e você, que o vivemos, podemos entender por que não paro de sorrir, na solidão de um ônibus quase vazio.

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